O valor anunciado dos imóveis para locação residencial no Brasil está, em média, 76% acima do montante que os potenciais inquilinos afirmam conseguir pagar. Segundo levantamento realizado pela DataLais, frente de inteligência de dados da plataforma Lastro, o aluguel mediano dos apartamentos anunciados por imobiliárias atinge R$ 3.000, enquanto o orçamento mediano declarado pelos consumidores é de R$ 1.700. O cenário gera uma diferença de R$ 1.300 entre a capacidade financeira sinalizada e os preços do mercado. Em Santa Catarina, o município de Balneário Camboriú registrou a maior distância entre oferta e orçamento entre as cidades analisadas, atingindo 131%.
O levantamento foi elaborado a partir do cruzamento de dados de 905.466 pessoas em todos os estados brasileiros com os preços pedidos em 118 mil apartamentos anunciados. As informações orçamentárias dos consumidores foram coletadas durante atendimentos via WhatsApp realizados por 1.500 imobiliárias clientes da DataLais, entre os dias 23 de março e 16 de setembro.
Diferença entre preço pedido e orçamento atinge 76% no país
A pesquisa evidencia um descompasso estrutural entre o valor pretendido pelos proprietários nos anúncios e a real capacidade de pagamento expressa por quem busca uma nova moradia. Enquanto os interessados indicam um orçamento mediano de R$ 1.700 para a locação, os imóveis ofertados nas carteiras imobiliárias apresentam valor mediano de R$ 3.000.
De acordo com Allan Paladino, CEO e cofundador da Lastro, essa disparidade ajuda a explicar por que uma parcela significativa de procuras por imóveis não avança no funil de locação. O executivo aponta que a distância entre o que o consumidor sinaliza como viável e o que está disponível no mercado esclarece os motivos pelos quais diversas buscas não chegam a se converter em visitas presenciais, propostas formais ou contratos assinados.
Descompasso regional destaca cidades de Santa Catarina e grandes centros
A análise por município indica que o descompasso entre orçamento e preço de anúncio se manifesta em capitais, regiões metropolitanas e polos do interior. Balneário Camboriú apresentou o índice mais elevado de variação no levantamento, com os aluguéis anunciados ficando 131% acima do orçamento projetado pelos consumidores da região.
O estudo também apontou distorções em outras localidades brasileiras. Porto Alegre apresentou diferença de 100% entre o valor anunciado e o limite indicado pelos interessados. No estado de São Paulo, a cidade de Campinas registrou descompasso de 90%, seguida por Itajaí, em Santa Catarina, onde a diferença alcançou 88%. Já em Ribeirão Preto (SP), a distância atingiu 87%, enquanto São José dos Campos (SP) registrou 84%.
Na cidade de São Paulo, os valores anunciados ficaram 80% acima do orçamento informado pelos locatários. A capital mineira, Belo Horizonte, apresentou variação de 76%, e Londrina, no Paraná, registrou uma diferença de 63% entre as duas pontas da negociação.
Preço dos novos aluguéis sobe acima da inflação oficial
A barreira para encontrar imóveis alinhados ao planejamento financeiro das famílias ocorre em meio a uma alta do mercado locatício superior aos índices oficiais de inflação. Segundo dados do Índice FipeZAP, os preços dos novos aluguéis residenciais acumularam elevação de 9,16% no período de 12 meses encerrado em agosto. Em contrapartida, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 4,22% no mesmo intervalo.
A comparação entre os indicadores detalha os aspectos distintos do setor: o FipeZAP monitora a evolução dos preços praticados nos anúncios do mercado imobiliário, ao passo que o levantamento do DataLais afere o teto orçamentário informado diretamente por quem procura um imóvel para morar.
Uso da inteligência artificial para mapeamento do mercado
As informações utilizadas no estudo foram extraídas de interações conduzidas pela inteligência artificial DataLais, tecnologia desenvolvida pela Lastro para o atendimento automatizado de imobiliárias via WhatsApp. Durante a jornada de contato, a ferramenta coleta o valor que os potenciais inquilinos pretendem investir, permitindo cruzar a demanda real com os ativos disponíveis nas imobiliárias parceiras.
A Lastro argumenta que a conversão desses diálogos em dados estruturados contribui para identificar faixas de preço com demanda não atendida. A empresa informa que sua tecnologia já superou a marca de 2 milhões de interações, atendendo cerca de mil imobiliárias no Brasil, e acumulou mais de US$ 20 milhões em captações com a participação de fundos como Prosus, Canary, QED Investors, 1Sharpe Ventures, FJ Labs e Endeavor Scale Up.
Fonte consultada
Este conteúdo foi elaborado com base em informações publicadas por Exame. Consulte a publicação original.