Aluguel residencial sobe 9,28% em 12 meses no Brasil, mas inadimplência cai para menor nível em três anos
Nos últimos 12 meses, o custo para morar de aluguel no Brasil registrou um aumento de 9,28%, de acordo com dados do Índice FipeZAP. O percentual supera a taxa de inflação do mesmo período e adiciona pressão sobre o orçamento das famílias, em um cenário nacional que contabiliza mais de 81 milhões de consumidores negativados. Apesar do avanço nos preços, a taxa de inadimplência no mercado de locação seguiu o caminho oposto e atingiu o menor índice dos últimos três anos.
Segundo o Índice de Inadimplência Locatícia apurado pela plataforma Superlógica, o percentual de atrasos nos pagamentos de aluguel no país recuou para 3,05%. O resultado representa o menor valor registrado desde junho de 2023, quando a taxa esteve em 3,03%. Em relação a julho de 2025, a redução apurada foi de 0,71 ponto percentual.
Priorização de contas e rigor na seleção de inquilinos
A divergência entre o aumento do valor cobrado e a redução do calote é atribuída à forma como as famílias organizam suas despesas financeiras e ao próprio funcionamento do mercado de locação. De acordo com Claudio Felisoni, professor e coordenador de Projetos da FIA Business School, o aluguel ocupa uma posição prioritária no planejamento financeiro dos brasileiros. Ao avaliar os compromissos do mês, os locatários optam por manter o pagamento do imóvel em dia para evitar o risco de despejo, preferindo adiar outros compromissos financeiros, como as faturas do cartão de crédito.
Outro fator determinante é a mudança no perfil dos locatários provocada pela elevação das taxas. Como a procura por imóveis permanece aquecida, proprietários e imobiliárias passam a ter maior poder de escolha e aplicam com maior rigor critérios de exigência financeira, como a comprovação de renda equivalente a três vezes o valor da locação. Felisoni aponta que essas exigências funcionam como um filtro, afastando do mercado pessoas com maior risco de inadimplência e resultando na seleção de inquilinos com maior capacidade de pagamento. Desta forma, o preço elevado reduz o acesso de perfis com menor solvência em vez de gerar inadimplência direta entre os contratantes.
Comportamento da inadimplência por faixa de preço
O levantamento do Grupo Superlógica indica que o comportamento da inadimplência varia de forma significativa conforme o valor mensal do aluguel. Os imóveis residenciais com custo de locação situado entre R$ 1 mil e R$ 8 mil apresentam os menores índices de calote, mantendo taxas inferiores a 4%.
Por outro lado, a maior concentração de atrasos é observada nos dois extremos do mercado: imóveis com aluguel abaixo de R$ 1 mil e unidades com valores superiores a R$ 13 mil. Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, explica que as famílias de menor renda têm pouca margem no orçamento e sentem de forma mais intensa o aumento de custos essenciais, como alimentação e transporte, o que afeta a capacidade de manter os pagamentos em dia perante eventuais imprevistos.
Na faixa superior a R$ 13 mil, o público de locatários é predominantemente composto por comerciantes, empresários e empreendedores. Apesar de possuírem renda familiar geralmente compatível com as exigências do mercado, esses locatários estão mais suscetíveis às variações da atividade econômica, oscilações no giro de negócios, custo elevado do crédito e pressão da carga tributária.
Valores por metro quadrado e destaques regionais
O Índice FipeZAP revela discrepâncias marcantes nos preços médios praticados nas diferentes regiões brasileiras. O valor mais alto por metro quadrado para locação residencial no país não está localizado em uma capital, mas no município de Barueri (SP), onde a média atinge R$ 72 por metro quadrado. Essa cotação faz com que um imóvel de 50 metros quadrados na cidade tenha o aluguel estimado em aproximadamente R$ 3,6 mil.
A economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, explica que a valorização contínua em Barueri ocorre desde 2022, impulsionada por investimentos expressivos no segmento imobiliário de alto padrão e pela forte influência da região de Alphaville. O impacto de um nicho específico de luxo manifesta-se com maior intensidade no município do que em grandes metrópoles.
Na sequência do ranking de valores mais altos, a cidade de São Paulo ocupa a segunda posição, com preço médio de R$ 65,18 por metro quadrado. Em seguida, destacam-se Recife (PE), Belém (PA) e Florianópolis (SC) entre as praças com custos elevados de locação.
Em termos de variação percentual, Aracaju (SE) registrou o maior aumento entre todas as capitais brasileiras nos últimos 12 meses, com uma alta acumulada de 25,78%. Essa valorização decorre da expansão urbana da capital sergipana, marcada pelo surgimento e consolidação de novos eixos imobiliários dotados de infraestrutura moderna, o que elevou o padrão médio dos imóveis ofertados para locação. A dinâmica de preços em cada cidade reflete particularidades locais, como disponibilidade de estoque, crescimento da demanda, mobilidade e renda regional.
Metodologia dos indicadores imobiliários
Os dados apresentados são fundamentados em dois levantamentos com metodologias específicas do setor imobiliário:
- Índice FipeZAP de Locação Residencial: Desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Grupo OLX (envolvendo os portais Zap, Viva Real e OLX). Acompanha a evolução dos preços de anúncios de apartamentos prontos veiculados na internet em 36 cidades brasileiras, utilizando uma média ponderada.
- Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica: Pesquisa mensal realizada a partir do acompanhamento de mais de 800 mil clientes locatários em todo o território nacional. A metodologia classifica como inadimplentes os contratos com boletos não pagos há mais de 60 dias ou quitados com atraso superior a esse prazo.
Fonte consultada
Este conteúdo foi elaborado com base em informações publicadas por Estadao. Consulte a publicação original.